A Empreza do Colyseu Figueirense foi constituída em março de 1895 quando grassava um surto de 'influenza', a temível gripe espanhola; agora, no assinalar do seu 125º aniversário, não se realizaram festividades nem momentos solenes devido ao surto do 'coronavirús', a temível epidemia chinesa!
No dia 23 de março de 1895, numa sala do Mercado Engenheiro Silva, reunia-se pela primeira vez uma vintena de empreendedores figueirenses decididos a dotar a cidade de um equipamento há muito tido por necessário: "uma boa e ampla praça de touros".
À cabeça deste ambicioso empreendimento para o nóvel município estava João Antunes Pereira das Neves, médico, e o causídico de relevo Aníbal Augusto de Melo.
A relevância deste projeto pode ser avaliada pelas palavras que o jornal "O Povo da Figueira" lhe dedicou na sua edição de 24 de março (ver gravura à direita).

A 25 de Março, era lançada a primeira pedra para a construção do portentoso equipamento,na presença do Presidente da Câmara Municipal Dr. Joaquim Jardim, do Administrador do Concelho Augusto Forjaz, dos clubes locais Associação Naval 1.º de Maio e Club Gymnástico Velocipédico Figueirense, das duas corporações de Bombeiros, das Filarmónicas Figueirense e Dez de Agosto e de "grande concurso de povo".
A Empreza do Colyseu Figueirense ficaria constituída em abril desse ano com o capital de 10:000$000 réis, aproximadamente 237 mil euros, dividido em 2000 ações.
A empresa nasce num contexto económico e social especialmente atribulado pois na Europa, da Rússia a Portugal, grassava um surto de 'influenza', a temível gripe espanhola, e por cá estavam "as classes menos favorecidas, cançadas já de luctar contra os revezes motivados pela falta de trabalho".
A Figueira debatia-se com a sua barra em constante assoreamento e clamava por uma draga que permitisse aos barcos de maior calado procurar refúgio neste porto e animar a sua economia mercantil; os maus anos de pesca deixavam muitos braços parados e muitos corpos indolentes.
Mas no Bairro Novo os espanhóis animavam as ruas e serões com o delicioso estralejar das castanholas e havia pouco quem lhes resistisse...
A cidade queria-se uma referência do tourisme internacional: ligada a Paris via Valladolid por um comboio que atravessava a rica região das Beiras, era dotada de duas imponentes salas de espectáculos - Teatro Príncipe D. Carlos e Teatro-Circo Saraiva de Carvalho e vários Casinos, com espetáculos de troupes internacionais.
Onde bem receber era já uma arte, a Praça de Touros da Empresa do Coliseu Figueirense viria adicionar um elemento colorido e popular ao rosto da mais bela praia nacional, impulsionando a sua feição turística com uma estrutura de alta capacidade e "todas as condições modernamente exigidas pela arte do toureio".
Foram cerca de 500 - entre "homens, mulheres e crianças", diz a imprensa da época, os operários que em apenas 3 meses erigiram o colosso figueirense, com 7000 lugares e comodidades variadas - cafés, restaurantes, fornecimento de refrescos e aluguer de almofadas.
No dia 24 de Agosto de 1895, na presença "do que há de mais gentil e distinto não só na colónia balnear como na sociedade propriamente figueirense", a arena abriu-se a um cartel que haveria de impressionar (ver ao lado).
Por tudo quanto a História nos legou, hoje, como há 125 anos, é justo e digno que nos levantemos para saudar os fundadores da Companhia do Coliseu Figueirense e os seus acionistas. Conscientes de que vive ainda nos últimos o espírito empreendedor e visionário que animou os primeiros, dirigimos a todos as palavras com que a "Gazeta da Figueira" selou o seu público agradecimento à Companhia, em 28 de Agosto de 1895: "Um bravo, pois, a esses homens empreendedores a quem a Figueira deve mais um importante melhoramento".